Esse texto escrevi há 11 anos... e relendo hoje, acho incrível como o sentimento expressado através dele pôde me tomar novamente tanto tempo depois...
"Eu não pertenço a lugar algum. Vago por um mundo que me é completamente estranho, procurando um lugar em que eu possa, finalmente, me sentir em casa...
Sinto-me uma estranha dentro do meu próprio corpo. Um corpo que anseia por vida, por movimento, por alegria, enquanto a alma se encolhe a um canto, se entrega ao isolamento, ao cinza de uma existência levada adiante movida por uma força invisível, inexplicável, que a impele a seguir, ainda que sem rumo.
Procuro um lugar onde eu possa me esconder do meu próprio coração e desse sentimento que não me abandona. Não há lugar para o qual eu possa fugir, pois esse sentimento estará lá, me enchendo de esperanças vãs, me atormentando com lembranças do que já não é, e me mantendo prostrada, com os pés enraizados num tempo que já não existe, numa espera dolorosa e sem fim.
Ah! Mundo tão imenso e tão pequeno! Tão grande que não me encontro em parte alguma, e tão pequeno que vejo teu rosto para onde quer que eu olhe... e, sendo assim, não me encontrarei jamais, pois o único lugar em que estou é para onde não posso olhar. Nesse lugar deixei meu coração, batendo eternamente junto ao teu, esperando em vão que você olhe na minha direção..."
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