quinta-feira, 10 de abril de 2008

Vida Passageira

Acontecimentos e conversas recentes me fizeram pensar o quanto a vida é passageira, e que pessoas também o são... mais que isso, me fez pensar qual o papel de muitas pessoas na minha vida – e meu papel na vida dos outros.

Minha vida nunca foi “linear”. Aquela coisa bonitinha e padrão, estudar, namorar, casar, ter filhos, ganhar dinheiro e viver feliz para sempre – vidinha que muitos casais ‘perfeitos’ querem pregar e que, a todo custo, querem me impor, mesmo que subliminarmente. Minha vida dá guinadas repentinas, de uma hora pra outra eu tenho que desconstruir situações, valores e planos e começar tudo do zero. Isso não significa que eu sou superficial, inconstante ou tantos outros rótulos que me dão. Apenas significa que eu NÃO TENHO MEDO DE TENTAR, e pago o preço por isso, eu sei. Aliás, só eu sei o preço que pago ou já paguei. Mas nem por isso me arrependo de nada, porque sempre fiz o melhor que podia ou sabia no momento, e não tenho medo de mudar de direção ou opinião quando necessário.

Por conta de tantas idas e vindas, de tantos lugares por onde passei e pessoas que conheci, acredito que muitos têm medo de se apegar, de conviver, de se entregar. Triste vida dessas pessoas! Mal sabem eles que as pessoas que me são mais caras e que fazem parte constante da minha vida (mesmo não estando presentes de corpo) são aquelas que não tiveram medo de se entregar, de criar um vínculo. São as pessoas que me conhecem a fundo e sabem que, ao contrário dos rótulos que tenho, eu sou altamente fiel aos que compartilham a vida comigo, e que sempre estou presente quando precisam, mesmo que seja por email, telefone, carta – ou simplesmente em pensamento e oração. E por saberem disso a recíproca sempre é verdadeira, eu sei que mesmo não presentes, mesmo a longas distâncias e por conta dos reveses da vida, essas pessoas estão sempre ao meu lado.
E estar ao meu lado não significa ter os mesmos gostos, as mesmas idéias e opiniões que eu. Significa ter liberdade para falar o que quiser – ou o que for necessário – porque há respeito e companheirismo dos dois lados. Meus melhores amigos nem sempre concordam com minhas atitudes, mas entendem e respeitam. E nem por isso deixam de me amar. E, acima de tudo, não me impõe nada, nem idéias, nem comportamentos...

Aí olho à minha volta e vejo pessoas que, apesar da proximidade ou convivência se tornam tão distantes. Pessoas que insistem em enxergar apenas os rótulos. E que, com isso, justificam suas atitudes. Mais uma vez, pobre vida dessas pessoas! Perderam a oportunidade de serem mais profundas, de conhecer experiências e modos de ver – e de agir – diferentes dos seus, e com isso crescer. Continuam pequenas, fechadas em seu mundinho. Podem permanecer assim para sempre – ou a vida pode dar uma rasteira para que eles aprendam a lição!

Então, quem será permanente e quem será passageiro na minha vida??? Isso não tem nada a ver com laços sangüíneos ou coisa parecida, Tem a ver com afinidade, companheirismo, respeito. E, nesse quesito, aqueles que sob a visão superficial de muitos me parecem distantes são exatamente os mais próximos, enquanto os que estão mais próximos são os mais distantes...

Não sei o que a vida me reserva amanhã. Posso precisar começar tudo de novo, ou não. Pessoas passarão por mim, e escolherão ficar ou simplesmente passar. Então, nessa vida passageira, só me resta aproveitar cada minuto, aproveitar cada momento que posso compartilhar com aqueles que me são caros. E lamentar por aqueles que, por medo, por ignorância, por limitação, por orgulhos, preconceitos e melindres, passarão suas vidas e perderão a oportunidade de compartilhar, de trocar, de dar e receber, enfim, de conviver...

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